O blog é essencialmente ligado à literatura, mas pontualmente me rendo a uma outra paixão que eu tenho: o cinema. E hoje, 23 de janeiro de 2025, o cinema nacional teve uma vitória das mais emblemáticas: a indicação ao Oscar em três categorias: melhor filme internacional, melhor filme e melhor atriz (Fernandinha, eu te amo). Muito merecido, porque é um filme fabuloso, que retrata o período mais sombrio da nossa história. Vi no dia do meu aniversário (foi no dia 11 de novembro, uma segunda-feira. E eu acabeime presenteando com esse filme lindo - e necessário).
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Foto comparativa ente Selton Melo e Rubens Paiva. Muito semelhantes! |
Particularmente, esperava a indicação de Selton Mello (que interpretou Rubens Paiva com maestria), mas (e infelizmente) não aconteceu (ele tinha uma concorrência muito forte), mas aqui deixo a minha homenagem a este excepcional ator (e diretor) brasileiro. Um cara que é perfeito interpretando tanto papéis dramáticos quanto cômicos, um camaleão das artes. Tenho em DVD três de seus melhores filmes (o quarto é, com certeza, "Ainda estou aqui") e falarei um pouco sobre eles.
Selton é o Lourenço, um sujeito que posso chamar de escroto, protagonista de "O cheiro do ralo". Filme feito para incomodar, para mostrar que existem seres humanos que podem ser excêntricos, loucos, sujos, sem empatia, sendo que o Lourenço (interpretado de forma espetacular pelo Selton Mello) é a mistura de todas estas características; Um personagem que provoca asco em muitos momentos, ao mesmo tempo que provoca dó, pois o Lourenço é uma pessoa doente e suas atitudes grotescas são apenas reflexos os conflitos externos que ele tem. Na primeira vez que vi eu achava que era uma comédia com toques dramáticos, mas hoje, com mais maturidade cinematográfica, defino o filme como um drama com momentos de comédia.
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Disponível na Globoplay. |
Selton é o melancólico Benjamim em "O Palhaço", comédia dramática que marca sua primeira vez como diretor. Que belo filme, em todo os sentidos. História, fotografia, elenco, trilha sonora (sim!!!). Um filme daqueles que você senta na poltrona do cinema e torce para que o filme não acabe, tamanha a qualidade da película. A trama é focada na crise de identidade do personagem do Selton Mello. Acho que isso aproxima mais ainda o público, pois quem já não passou por isso??? Se não passou, ainda vai passar em algum momento da vida.
Um filme que, na sua simplicidade e autenticidade, me conquistou em cheio. Tocante.
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Disponível na Globoplay e Netflix. |
Selton é o inesquecível Chicó em "O Auto da Compadecida", o covarde que usa a mentira para sobreviver, que eternizou o bordão "não sei, só sei que foi assim".
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Disponível na Globoplay. |
Realista, engraçado, inteligente, ágil, é um dos filmes mais amados pelos brasileiros.
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Eu continuo apaixonado pela Virgínia Cavendish (e ela sabe disso 😆😆😆). |
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João Grilo e dona Rosinha (💗💗💚💚💚) |
"Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre."
"Jesus? Pretinho daquele jeito?"
"Ô, promessa desgraçada. Ô, promessa sem jeito!"
"Depois que morre, todo mundo fica bonzinho!"
"João Grilo: I love you?
Chicó: Quer dizer morena em francês."
Outros filmes do Selton que eu adoro: "Meu nome não é Johnny", "O que é isso, companheiro?", "A erva do rato" (polêmico), "O coronel e o lobisomem", "Caramuru - A invenção do Brasil", "Lavoura Arcaica", "A mulher invisível", Jean Charles", "Trash - A esperança veio do lixo", "O filme da minha vida", entre outros.
Viva Selton Mello, Fernanda Montenegro Fernanda Torres, Walter Salles, cinema nacional.
Viva a arte, porque ela salva o mundo.