Amigos e amigas, amantes da 7ª arte. Oscar 2025 está chegando (02/03), e recheado de polêmicas envolvendo o Brasil. E em duas frentes: Ainda estou aqui versus Emília Perez e Fernanda Torre versus Karla Sofía Gascón.
Recentemente, as atrizes Fernanda Torres e Karla Sofía Gascón estiveram no centro de uma grande polêmica na temporada de premiações de 2025. Ambas indicadas
ao Oscar de Melhor Atriz, as duas se viram envolvidas em discussões fortes sobre representatividade, racismo e ataques nas redes sociais.
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Fernanda Torres recebendo o Globo de Ouro. |
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Gascón recebendo o prêmio no festival de Cannes. |
Karla Sofía Gascón e a polêmica com Fernanda Torres.
Interessante salientar que antes das acusações, Fernanda Torres e Karla Sofía Gascón já haviam se encontrado em vários eventos, com uma “rasgação de seda” para ambos lados. Até aí, tudo bem, parecia que seria
uma disputa saudável.
Mas Gascón causou polêmica ao sugerir que a equipe de Fernanda Torres estaria por trás de uma campanha difamatória contra ela e o filme Emilia Pérez. Após a repercussão negativa, a atriz voltou atrás e elogiou Torres, dizendo que a brasileira sempre demonstrou apoio e respeito. Karla Sofía
Gascón, atriz espanhola e a primeira mulher transgênero a ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Não colou.
Mas o feitiço virou contra a feiticeira. Comentários antigos feitos por ela nas redes sociais, considerados racistas e xenofóbicos, foram resgatados, gerando forte reação do público. Gascón apagou suas contas e pediu desculpas, alegando que suas declarações
eram de outro momento de sua vida e não refletem quem ela é hoje.
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Vamos polemizar? |
Fernanda Torres e o o vídeo polêmico.
Infelizmente Fernanda Torres também sofreu hate de grande parte do público e alguém (intencionalmente) resgatou um momento infame na carreira. Seu nome também apareceu nas manchetes devido ao ressurgimento
de um vídeo antigo em que ela aparece fazendo blackface em um quadro de humor do programa Fantástico, em 2008.
A prática do blackface, em que uma pessoa branca pinta a pele para interpretar personagens negros, é considerada racista e ofensiva. Diante da repercussão, Torres se pronunciou, reconhecendo que o vídeo era um
erro e afirmando que a consciência sobre a questão racial mudou ao longo dos anos. Ela reforçou seu compromisso contra o racismo e pediu que as pessoas evitassem propagar ódio.
Mas na prática, Fernanda Torres venceu Karla Sofía Gascón no quesito retratação. Fernanda Torres se portou de forma mais serena, e Karla Sofía Gascón continuou polemizando.
Premiações.
Apesar das controvérsias, ambas as atrizes foram amplamente reconhecidas por suas performances (citarei os mais importantes):
Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama, Satelitte Awards, Goya.
Karla Sofía Gascón conquistou o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, o BAFTA.
Emilia Pérez e as críticas ao filme.
Ambientada no México, protagonizado por Gascón (espanhola) e dirigido pelo francês Jacques Audiard (???), o filme também não escapou das críticas.
E não foram poucas.
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Um visionário ou... |
A produção foi acusada de falta de autenticidade, pois retrata a cultura mexicana sem verdadeiros representantes (o próprio diretor afirmou que não precisou ir ao
México para criar o filme).
Selena Gomez (que é norte-americana, mas de origem latina) foi criticada pelo uso ineficaz da língua espanhola.
O uso de IA. A tecnologia foi empregada para aprimorar a performance vocal da atriz principal, Karla Sofía Gascón, especialmente nas cenas musicais. É
uma discussão que ainda var dar o que falar.
A transição de gênero foi algo muito criticado. O/A personagem principal era um bandido violento e sanguinário, mas após a operação tornou-se
a Emília “paz e amor”, a defensora dos oprimidos (eu não sabia que, em uma operação para mudar de sexo, o transplante de cérebro estaria incluso!).
Além disso, parte do público considerou a narrativa problemática ao misturar o tráfico de drogas com a temática transgênero, reforçando estereótipos.
Outro ponto controverso foi a reação da Netflix, distribuidora do longa. Após a polêmica envolvendo Gascón, a empresa decidiu não financiar mais sua
participação em eventos de premiação, embora continue promovendo o filme.
Considerações finais.
Eu não assisti Emilia Pérez, mas já vi diversos críticos de cinema (que eu respeito demais) “detonando” o filme (inclusive pelas 13 indicações ao Careca Dourado), devido às superficialidade
e incongruências. E, com todo respeito a quem gosta, não suporto musicais.
Mesmo que Ainda estou aqui tenha sofrido boicote de parte do público brasileiro (a questão dos extremismos da politica brasileira), o filme conta uma história real que chocou o Brasil e hoje choca o mundo. E que coisa
linda ver que o livro do grande Marcelo Rubens Paiva está entre os mais vendidos da atualidade. Viva a literatura nacional!
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Fernanda Torres, Selton Mello e o diretor Walter Salles. |
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Marcelo, grande escritor nacional. Filho de Eunice e Rubens Paiva. |
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As duas versões de Eunice Paiva. |
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As duas versões de Rubens Paiva. |
Estou sendo imparcial??? Estou, mesmo tendo visto (e adorado) somente Ainda estou aqui, porque acredito que é um filme com um tema muito mais relevante do que o de Emília Pérez.
Afinal, enquanto o filme brazuca aborda questões históricas e de direitos humanos no Brasil, trazendo uma reflexão profunda sobre nossa própria realidade, Emília Pérez parece se apoiar mais em uma narrativa estilizada, que mistura crime e identidade de gênero de uma forma que tem gerado controvérsias. Mas
claro, isso não significa que um filme seja necessariamente melhor que o outro — apenas que, para mim, um tem um impacto mais significativo.
Mas as ficha estão na mesa. Quem vence???
Fernanda Torres X Karla Sofía Gascón.
Ainda estou aqui X Emilia Pérez.
A questão que fica: vale tudo por um Oscar??? Quem viver até o dia 2 de março, verá.